26/04/17

Celeste Caeiro







                          Celeste Caeiro, de 79 anos, foi a mulher que fez do cravo o símbolo do
                          25 de abril de 1974. ( JN, 25 de Abril de 2013 )

Na Assembleia da República



Findas as cerimónias comemorativas do 25 de abril 2017;
Ferro Rodrigues, Marcelo Rebelo de Sousa  e Idália Serrão


"Esta fotografia acabou de me ser enviada pelo meu querido amigo Luís Galego. Ainda pensei que fosse uma brincadeira sua mas acabo de a ver publicada no Diário de Notícias.
:)
É fantástica!
De acordo com o Nuno Simas, "a foto é do Miguel A. Lopes, da Lusa".

Idália Serrão

27/03/17

Que farei com este livro?

Para assinalar o Dia Mundial do Teatro

Que farei com este livro?, pergunta-se Camões, segundo José Saramago, ao contemplar o seu poema Os Lusíadas por fim impresso. Foi esta a pergunta que induziu José Saramago a escrever uma peça de teatro cuja ação decorre em Almeirim e Lisboa entre abril de 1570 e março de 1572, entre a chegada de Luís de Camões a Lisboa, vindo da Índia e Moçambique, e a publicação da primeira edição de Os Lusíadas. No meio de personagens históricas figuram outras nascidas da imaginação do escritor, todas em torno da edição de Os Lusíadas. «Se eu fosse esmolar pelas ruas e praças talvez me dessem dinheiro para comer. Mas não mo dariam se eu dissesse que o destinava a pagar ao livreiro que me imprimisse o livro.» Será necessário ler este livro para saber se foi Camões ou Saramago quem assim falou.
Editorial Caminho
1980, 4.a ed.,1999

26/03/17

O que distingue um amigo verdadeiro



Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode passar e a atenção que se pode dar ? todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas. 

Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade. O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso ser-se inimigo de quem se gosta. 

Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo, nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto, existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um «amigo». Todos conhecemos o género ? é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o «amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas, compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c. 
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e os inimigos da outra pessoa. E fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço, em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele, mas tenho de reconhecer que ele é um sacana.» Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil ser inteiramente leal, mas tem de se ser. 

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'

Herberto Helder :: Um quarto dos poemas é imitação literária / Dito por ...


22/03/17

Na casa de campo


naquela onde mais e menos vivo
a minha mãe prevalece e reza
como se me não tivesse
em maio de 45.
casa de campo e da ilha
minha febre água de bica
conrrendo nos meus sábados de lá ir
escutar os milhos escutar o povo.
mais e menos poeta
as noivas procuram-me de enxoval
nos braços
e eu desenho-lhes os sonhos
risco-lhes as toalhas e
vejo-as ir à igreja casar.
na casa do campo sou asceta.
cresço linho de bordar
ouço os sinos vou à missa
e como povo canto deus
para me cansar.
é nisto que reside
o meu correr de vivo o meu verbo ser-me.

Álamo  Oliveira (1945 - ) Poeta terceirense


Bet Low (Scottish, 1924-2007),

16/09/15

"Meninas vão para a escola"


 Se é verdade que a hortênsia é a flor símbolo deste magnífico arquipélago dos Açores, há outras flores também muito características destes 9 pedacinhos de Paraíso que Deus criou no meio do oceano Atlântico. É o caso desta... Para uns são as célebres "meninas vão para a escola", para outros, são os "meninos vão para escola". Tratando-se portanto de uma questão de género, de somenos importância. E porque, pelo menos nos Açores, é início de aulas aqui fica esta singela homenagem a toda a comunidade escolar e o desejo de muito bom trabalho para todos os professores (as) e para todas as meninas e meninos que hoje vão para a escola.



Um dia branco

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
Sophia de Mello Breyner Andresen

13/09/15


Trabalhadas Palavras deseja a toda a comunidade escolar um bom ano letivo 
2015 / 2016 com muita dedicação e sucesso!






Aceitam-se marcações de VISITAS GUIADAS  à Biblioteca Escolar para alunos e respetivos docentes acompanhantes dos 7ºs e 10ºs anos, com marcação prévia de 48 h de antecedência, até ao último dia de outubro.

29/04/15

Concurso Nacional de Leitura - Fase Regional


A fase Regional do Concurso Nacional de Leitura  terá lugar no dia 30 de abril no Auditório do Ramo Grande, na cidade da Praia da Vitória, Ilha Terceira. Os candidatos serão submetidos à apreciação de um júri que avaliará as provas de leitura em voz alta de poemas, argumentação sobre frases sorteadas, tendo por base as obras de leitura obrigatória para cada nível de ensino  e dramatização, tendo por base uma das obras de leitura obrigatória, utilizando adereços pessoais  e liberdade de criatividade.


Na sequência da realização da prova escrita , ocorrida a 9 de abril de 2015 ficaram apurados os seguintes candidatos:

Ilha
Escola
Alunos
Prof. acompanhante
3º ciclo
Secundário
S. Miguel
ES das Laranjeiras
_
Joana Cardoso
Fernanda Raposo
Joana Furtado
Terceira
ES Vitorino Nemésio
Ana Fagundes
Vanessa Ferraz
Clarinda Barreira
S. Jorge
EBS da Calheta
Gonçalo Nunes
Filipa Pessoa
Domingos Nunes
Érica Mendonça
Pico
EBS da Madalena
Margarida Cordeiro
_
Sílvia Costa
Rita Medeiros
_
Faial
ES Manuel de Arriaga
André Costa
_
Catarina Azevedo



As obras selecionadas para a Fase Regional foram as seguintes:



3º ciclo do Ensino Báico:


  




 Ensino Secundário:



   



O aluno vencedor de cada nível de ensino será o representante da Região Autónoma dos Açores na fase Nacional do Concurso Nacional de Leitura.

*Trabalhadas Palavras deseja Boa Sorte a todos os candidatos e continuação de Boas Leituras!




18/04/15

Um cantinho




Um cantinho para deixar a saudade se expressar...
um cantinho para amar...
 saborear um vinho e um chocolate,
 talvez um bom livro 
e depois adormecer!






13/04/15

Günter Grass - Nobel da Literatura 1999



Morreu o escritor alemão e Nobel da Literatura Günter Grass, aos 87 anos. A notícia foi dada pela sua editora Steidl, que confirmou que o autor faleceu esta segunda-feira, 13 de abril, num hospital da cidade de Lübeck, no norte da Alemanha. Não especifica, no entanto, a causa da morte. A imprensa alemã descreve-o como o Nobel da Literatura que “quebrou tabus” e que viveu toda a sua vida com “um espírito rebelde”.

Para a Teresa


Boa sorte! 

Pintura de Vladimir Kush  

                    Vladimir Kush                                                                                                        SC

Dora Bruder





Anos atrás, o narrador deparara-se com um anúncio publicado no Paris-Soir de 31 de dezembro de 1941: «Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, de 15 anos…» Quem era Dora Bruder? Desde esse dia, o destino da jovem judia enredada nas malhas da ocupação nazi nunca mais o largou, obcecado que estava em reconstruir a sua história até aos momentos finais no campo de Auschwitz.

Este livro (como, aliás, toda a obra do autor) é assim um combate contra o esquecimento, uma afirmação portentosa dos caminhos redentores da memória - contra tudo aquilo que nos macula e destrói. Com ele, Modiano escreveu porventura a sua melhor obra - e uma das mais notáveis da moderna literatura francesa.

10/04/15

Rainha D.Amélia

As D. Amélias, doce típico da gastronomia terceirense foram confeccionadas para acolher a rainha.


Donas Amélias

Com o rei  D. João V 
500 gramas de açúcar
9 gemas de ovos
4 claras (batidas em neve)
200 gramas de manteiga (derretida e fria)
200 gramas de farinha de milho (o mais peneirada possível)
1 colher (de sopa) de canela em pó
6 colheres (de sopa) de mel de cana
100 gramas de passas
50 gramas de cidrão (picado muito fino)
raspa de 1 limão pequeno
1 pitada de sal
1 colher (de café) de noz moscada
Bate-se o açúcar com as gemas até formar uma massa presa, juntando-se depois a canela, as passas, o cidrão, a noz moscada, a raspa de limão e o sal.
Bate-se mais algum tempo, e quando estiver bem ligado, junta-se a manteiga derretida e fria, de seguida, as claras batidas em neve, e por último, a farinha e o mel.
Sempre que se junta qualquer dos ingredientes mencionados, bate-se a massa a fim de os ligar.
Vaza-se a massa em pequenas formas (untadas e polvilhadas) e vão ao forno , não muito quente, em tabuleiros.
Quando cozidos, retiram-se das formas e polvilham-se com açúcar refinado-


Narciso

A História de Narciso



Era uma vez um jovem muito belo e orgulhoso chamado Narciso. Ele era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope.
Quando Narciso completou 15 anos, Liríope consultou o adivinho Tirésias (ela foi a primeira que foi consultar-se com tal) se o filho teria longa vida. Então, foi-lhe profetizado que Narciso jamais poderia ver o seu reflexo, pois esta seria a sua ruína.
Realmente, Narciso era um lindo homem, o amor e paixão de muitas ninfas. Este, em contra-partida, sempre rejeitou o amor de todas elas. E a ninfa que mais se destaca é Eco. Acontece que Narciso rejeitou também o amor de Eco. A ninfa então, definhou por ter sido rejeitada, deixando apenas um sussurro débil e melancólico.
Todavia, a deusa da vingança e retribuição, Nêmesis, apiedou-se da moça e fez com que Narciso visse o próprio reflexo e se apaixonasse por ele. E o jovem ficou enamorado de si mesmo, e deitou-se no banco do rio a admirar o próprio reflexo; onde definhou. Mais tarde as ninfas construíram-lhe uma mortalha para que este fosse enterrado dignamente. Porém, quando foram encontrar seu corpo, somente avistaram uma flor: O Narciso .(Fonte: Wikipédia).

Narciso admirando o próprio reflexo.

05/04/15

Por detrás do vidro, estou




Como posso estar sossegada
se tudo se reverteu contra a minha vontade?
A tranquilidade d'alma sentia-a nas manhãs claras
que não se repetiram, senão naquela cidade.
Enfrascaram-me os sentimentos
e diluiram-nos com  álcool 
para poder desinfetar  de mim a liberdade.
E o que retive do hálito dos livros
era para estar completo e não está.
Retorcida, esprimida, desbotada
não tenho nada... tudo se desfez numa aragem
súbita e o que restou não foi a minha poesia
foi o ódio de não poder ser quem era.
Cumpriste o meu sonho.
Que tens que eu não tive?



S,C, 28.03.15


31/03/15

Herberto Helder



Herberto Helder nasceu em 1930 no Funchal, onde concluiu o 5.º ano. Em 1948 matriculou-se em Direito mas cedo abandonou esse curso para se inscrever em Filologia Românica, que frequentou durante três anos. Teve inúmeros trabalhos e colaborou em vários periódicos como
A BriosaRe-nhau-nhauBúzioFolhas de PoesiaGraalCadernos do Meio
diaPirâmideTávola RedondaJornal de LetrasArtes
Em 1969 trabalhou como diretor literário da editorial Estampa. Viajou pela Bélgica, Holanda, Dinamarca e em 1971 partiu para África onde fez uma série de reportagens para a revista Notícias. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa, que recusou. Faleceu em Cascais a 23 de março de 2015, tinha 84 anos.


Amo devagar os amigos que são tristes com cinco 
dedos de cada lado. 
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, 
fechando os olhos, 
com os livros atrás a arder para toda a eternidade. 
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo. 
- Temos um talento doloroso e obscuro. 
Construímos um lugar de silêncio. 
De paixão. 


                                                                    Herberto Helder, 1930-2015